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RN produzirá biodiesel em larga escala no segundo semestre de 2008

Começou na última terça-feira a obrigatoriedade de vender óleo diesel adicionado com 2% de biodiesel (B2) e os postos de combustí­veis do Rio Grande do Norte só irão comercializar o produto por causa dos leilões da Petrobras, realizados durante todo o ano passado. í‰ que as duas plantas de biodiesel que o Estado possui no municí­pio de Guamaré - com capacidade para produzir 20 milhões de litros por ano - ainda estão em fase experimental e não podem produzir em escala industrial.

O engenheiro responsável pelo Núcleo de Energias Renováveis da Petrobras no Rio Grande do Norte, Henrique Landa, diz que as plantas ainda possuem como único objetivo consolidar a tecnologia da estatal. "Queremos trabalhar experimentalmente com diversas oleaginosas, misturando soja com girassol, soja com mamona ou ainda com o pião manso. í‰ preciso que a agricultura responda fornecendo as oleaginosas para que nós possamos começar a produzir comercialmente", explica.

A comercialização do B2 no óleo diesel está garantida em todo o Brasil graças aos leilões promovidos pela Petrobras, que contratou 335 milhões de litros produzidos no Nordeste, 156,6 milhões de litros na região Sul, 148,7 milhões no Centro Oeste, 147,5 milhões no Sudeste e 97,2 milhões de litros na região Norte. Tudo para abastecer o território nacional durante o ano de 2008.

Segundo o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, não haverá impacto no preço ao consumidor, que já vem procurando o combustí­vel adicionado. A venda será fiscalizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que fechará os postos que não cumprirem a determinação. Apesar do custo do biodiesel ser mais alto que o do óleo diesel entre 0,018% a 0,060%, o espí­rito de concorrência fará com que o preço tenha a variação atual, conforme reforçou o ministro.

A Petrobras hoje conta com três plantas de biodiesel espalhadas pelo Paí­s operando com tecnologia estrangeira: uma em Quixadá, no Ceará, outra em Montes Claros (Minas Gerais) e a última em Candeias, na Bahia, além das duas plantas-piloto em Guamaré/RN. Esta última deve ser transformada em unidade industrial em meados deste ano, o que deve garantir ao Rio Grande do Norte a autonomia na produção do combustí­vel renovável.

As duas plantas locais têm capacidade de produzir 20 e 40 metros cúbicos de biodiesel diariamente, valor que deve abastecer satisfatoriamente o Estado com o adicional de 2% e posteriormente com o de 5%, fixado para entrar em vigor em 2013. De acordo com Landa, a produção potiguar deve progredir com os incentivos do Governo do Estado na produção de oleaginosas, notadamente o girassol, que deve ter seu plantio aumentado duas vezes agora em 2008.

"Nós vamos progredir e investir na oleaginosa de cada região do Estado. Cada região possui caracterí­sticas distintas, então nós vamos testar o algodão, a mamona, o girassol, a soja e ver qual é a melhor em cada área", explicou Landa.

A produção atual do biocombustí­vel em todas as regiões do Paí­s chega a 2,5 bilhões de litros e até dezembro deste ano esse número deve subir para 3,8 bilhões de litros. O Brasil importa hoje 7% do óleo diesel que consome, que cairá para 5% agora em 2008. A produção de biodiesel na agricultura familiar beneficia 100 mil famí­lias e esse número deve dobrar até o final do ano.


Fonte: Jornal Correio da Tarde