Festa de Sant’Ana pode fazer parte do “Patrimônio Imaterial”

21/01/2008
Tradição de fé e religiosidade na região do Seridó há 260 anos, a Festa de Sant’Ana de Caicó pode se tornar a primeira manifestação cultural do Rio Grande do Norte a integrar o programa “Patrimônio Imaterial Brasileiro”, vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão do Ministério da Cultura (Minc).

O ponta-pé para encaminhar o pedido de inclusão da Festa de Sant’Ana no “Livro de Registros de Celebrações” do Iphan começou em julho do ano passado, durante a celebração das festas religiosa e profana da padroeira do Caicó, que se transformou num evento turístico e, anualmente, trás milhares de visitantes de outras cidades e de outros estados do País, principalmente caicoenses que há muito tempo deixaram a sua terra natal.

Na ocasião, uma equipe de mais de 20 pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) fez um documentário sobre o evento religioso e profano, entrevistou clérigos e fiéis, vasculhou documentos da Igreja Católica, a coleta de dados ainda incluía informações sobre a culinária e até a ornamentação do andor da procissão, tudo para embasar um dossiê que já está pronto e entregue à representante do Iphan em Natal, a arquiteta Jeane Nesi.

Pesquisa

A professora do Departamento de Antropologia da UFRN, Julie Antoniette Cavignac, explicou que toda essa pesquisa do acervo cultural da Festa de Sant’Ana foi a primeira a ser realizada pelo programa de “Pesquisa Universitária de Referências Culturais do Seridó”, executado, inclusive, com a Fundação Cultural Cefet (Funcern), que procura levantar informações sobre os lugares, expressões, celebrações e ofícios e saberes próprios da cultura seridoense.

“Nós consideramos a Festa de Sant’Ana muito importante para a cultura do Estado do Rio Grander do Norte, por isso merece uma atenção particular  e se tornar um destaque nacional. É muito bom”, disse ela, como já ocorre em relação ao Círio de Nazaré, de Belém (PA), o Samba de Roda do Recôncavo Baiano e ainda a Feira de Caruaru OIPE), além de outras manifestações culturais brasileiras, que já estão incluídos no “Livro de Registro” do Iphan como patrimônio imaterial do Brasil.

Fonte: Jornal Tribuna do Norte
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